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sábado, 14 de janeiro de 2017

1967 - A psicodelia gera o verão do amor

Feliz 2017! Como entramos em um novo ano, você já sabe: é hora de começar a série de posts comentando os principais lançamentos do passado. Pra começar em alto estilo, voltamos no passado meio século, direto para o verão do amor! Isso mesmo, vamos falar sobre os grandes lançamentos do ano de 1967. Vamos lá!

1967 traria o auge criativo da psicodelia, com o lançamento de álbuns capitais para o estilo, que revolucionariam o rock e a música pop. Algumas bandas fundamentais lançariam seus discos de estreia neste ano: The Doors, Pink Floyd, Velvet Underground, Big Brother And The Holding Co. No mundo político, a Guerra Fria seguia firme e forte, e a Guerra do Vietnã entrava em uma fase mais agressiva por parte do exército dos EUA, com os vietcongues revidando e vice-versa. A opinião pública começaria a mudar, passando a ser contra a guerra. Os reflexos da Guerra Fria no mundo científico impulsionaram a corrida espacial, com um grande revés no lado norte-americano: a nave que levaria os astronautas à Lua se incendiou durante um treinamento, matando os três tripulantes (acabou conhecida como Apollo 1. Somente na missão Apollo 7 que os EUA conseguiriam realizar um lançamento tripulado com sucesso). Voltando ao lado político, a União Soviética e a China começaram a se estranhar neste ano, agravando um relacionamento que nasceu tenso desde a conversão da China para o comunismo. O relacionamento entre estas duas grandes nações não melhoraria até 1989, quando a Perestroika de Gorbachev aniquilou a União Soviética. Ainda no mundo do comunismo, este ano ficou marcado com a morte do ícone pop Che Guevara, capturado e executado na guerrilha da Bolívia. No esporte, este foi o ano da primeira edição do Super Bowl, com a vitória dos Packers de Green Bay sobre os Chiefs de Kansas City. Este evento iria se desenvolver ao ponto de se tornar o maior evento esportivo do mundo. No mundo musical, além do auge da psicodelia, tivemos também o famoso Monterey Pop Festival, que aconteceu no mês de junho e teve performances explosivas do The Who e Jimi Hendrix Experience, e também de Jefferson Airplane, Grateful Dead e o Big Brother de Janis Joplin. Ottis Redding também foi um destaque neste festival. Claro que a grande história aponta para a rivalidade entre The Who e Jimi Hendrix Experience: disputaram um cara e coroa para decidir quem entraria primeiro; o The Who acabou tocando antes e fez uma de suas grandes performances até então; Jimi Hendrix, vendo tal apresentação, acabou colocando fogo em sua guitarra para superá-los. A grande perda musical foi o empresário Brian Epstein, dos Beatles. Muitos acreditam que sua morte acabou sendo um dos motivos que precipitaram o fim da banda.

Vamos então aos grandes clássicos lançados em 1967:

The Doors - "The Doors" - vamos começar com este álbum incendiário, revolucionário, fundamental, que abriu caminho para um fenômeno chamado Jim Morrison, com suas letras polêmicas e suas performances sensuais e explosivas. O disco abre, logo de cara, com o clássico "Break On Through (To The Other Side)", e a primeira polêmica já surge nos versos em referências a drogas; Morrison canta "she gets high" com toda a força de seus pulmões, e a gravadora o censura. Talvez você nunca tenha escutado a versão original... Deixando as polêmicas de lado, podemos perceber o talento vocal de Jim, a musicalidade fantástica do gênio Ray Manzarek, que toca piano, órgão e emula o baixo também (OK, a banda não tinha oficialmente um baixista, mas um músico de estúdio tocou o instrumento em algumas faixas deste álbum). O grande clássico e sucesso da banda, "Light My Fire", está presente também, claro, em sua versão completa de sete minutos de duração. E não podemos esquecer outro grande clássico, "The End", quase doze minutos de delírios musicais sendo usados como pano de fundo para uma letra extrapolando a polêmica com um clássico complexo de Édipo. Um dos grandes clássicos do rock, completando meio século de vida!!

The Rolling Stones - "Between The Buttons" / "Flowers" - durante os anos 60, era comum para as bandas britânicas lançar versões diferentes de seus álbuns nos mercados britânico e norte-americano. Com os Rolling Stones, aconteceu durante quase toda a década; a unificação das versões só se deu com o disco seguinte, "Their Satanic Majesties Request". Então, temos duas versões para "Between The Buttons": uma para o mercado do Reino Unido (lançada primeiro) e outra para o mercado dos EUA. A banda alternou gravações entre estúdios nos EUA (RCA, em Los Angeles) e Londres (IBC e Olympic Sound). Os principais singles deste álbum foram "Ruby Tuesday" e "Let Spend The Night Together", e na época era comum para o mercado britânico não incluir os singles no LP. Já no mercado norte-americano, ambas as canções estavam presentes no álbum. Musicalmente, a banda continuou a experimentar no estúdio, seguindo a tendência dos Beatles, sempre mantendo um pé no blues rock, sua base musical. O disco ficou na terceira e segunda posições na Inglaterra e EUA, respectivamente. Já o single "Ruby Tuesday" conseguiu chegar ao topo da parada dos EUA. No meio do ano, a estratégia foi lançar a coletânea "Flowers" no mercado norte-americano, com diversas músicas que não haviam sido lançadas, incluindo algumas incluídas na versão britânica do álbum anterior. Talvez as boas performances comerciais deste álbum foram as únicas boas notícias deste conturbado ano para os Stones. O uso de drogas pelos membros da banda causaria uma perseguição pela mídia sensacionalista e pela polícia. E também a relação entre Brian Jones e Keith Richards iria pelo brejo, com Keith roubando a namorada de Brian. Falaremos mais sobre os Rolling Stones no final deste post, com mais um lançamento da banda. Fique ligado!

Jefferson Airplane - "Surrealistic Pillow" - apesar deste ser o segundo álbum da banda, considero sua estreia, pois foi também a estreia da grande vocalista Grace Slick. Com Grace, a banda decolou graças ao sucesso dos singles "Somebody To Love" e "White Rabbit". Este é um dos discos considerados como pilares da psicodelia de San Francisco e ajudou a banda a conseguir os melhores lugares nos principais festivais do final dos anos 60: Monterey Pop, neste mesmo ano; e Woodstock, dois anos depois. Além dos dois grandes sucessos, o álbum traz outras grandes músicas, numa mescla de folk e psicodelia maravilhosa: posso citar as belas "Today" e "Comin' Back To Me" e o solo hipnotizante de "3/5 Of A Mile In 10 Seconds". Aliás, vale citar que o nome deste álbum foi inspirado pela fala de Jerry Garcia, do Grateful Dead, que foi considerado como uma espécie de produtor/mentor do disco. Um álbum delicioso de se escutar, do começo ao fim. Recomendo fortemente!

Aretha Franklin - "I Never Loved A Man The Way I Loved You" - este não foi o primeiro disco de Aretha Franklin. Ela já tinha muita bagagem e também já tinha gravado muitos álbuns (incluindo alguns gospel e outros mundanos). Mas foi no começo deste ano de 1967 que Aretha resolveu não renovar seu contrato com a gravadora Columbia, migrando para a gravadora Atlantic. Resolveu também ir a Muscle Shoals, no Alabama (cidade com dois estúdios muito famosos, onde gravaram inúmeros artistas consagrados como Rolling Stones, Lynyrd Skynyrd, Eric Clapton, dentre muitos outros), para gravar seu novo disco com o famoso produtor Jerry Wexler. Esta parceria iria elevar Aretha ao status de grande rainha da música soul norte-americana, alcançando grande sucesso com canções como "Respect", "I Never Loved A Man", "Do Right Woman, Do Right Man" e muitas outras. Com a qualidade dos músicos do estúdio FAME de Muscle Shoals, a produção caprichada de Wexler e o talento vocal de Aretha, este é um de seus melhores álbuns, com certeza. E ainda foi um dos mais bem sucedidos, alcançando o segundo lugar da parada norte-americana e alcançando disco de ouro. A rainha do soul continua viva, gravando e se apresentando quando sua saúde permite. Longa vida a este monumento da música norte-americana!

Velvet Underground - "The Velvet Underground & Nico" - muitos discos aqui comentados fizeram muito sucesso na época de seu lançamento. Alguns fizeram um sucesso mediano. Este aqui não fez sucesso nenhum. Mal vendeu, e foi totalmente ignorado pela crítica na época de seu lançamento. Mesmo com o produtor e empresário Andy Warhol ajudando a banda (foi Andy quem fez esta famosa capa da banana). Entretanto, com o passar do tempo, ele teve um impacto influenciador quase tão grande quanto outros álbuns deste post. Trata-se do primeiro registro fonográfico de Lou Reed e John Cale, que ao lado de Sterling Morrison e Maureen Tucker, formavam o Velvet Underground. Nico era uma modelo que também cantava e acabou cantando em três músicas do disco. E o que este álbum tem de tão importante? Ele já traz aquele estilo único e inconfundível de compor de Reed, misturado a uma psicodelia única, com letras estranhas para a época, falando sobre abuso de drogas, prostituição, sado-masoquismo, temas nada comuns na época. Confira as canções "Venus In Furs", "All Tomorrow's Parties" e "Heroin" para sentir o nível de composição que Lou Reed já tinha logo no começo de sua carreira. Sem sucesso e reconhecimento da crítica, e sem o apoio de Andy Warhol, a banda durou muito pouco: primeiro, John Cale saiu logo após o lançamento do álbum seguinte; depois, Lou Reed, principal compositor, saiu também. Apesar de terem gravado mais alguns álbuns, a banda já tinha perdido sua força criativa e acabou de vez no começo de 1973. Em 1992, a formação original se reuniu e tocou alguns shows, chegando a lançar um álbum gravado ao vivo. Voltaram a se reunir em 1996, por ocasião da inclusão no Rock And Roll Hall Of Fame. Sterling Morrison acabou falecendo em 1995, vítima de linfoma; em 2013, foi a vez de Lou Reed falecer, vítima de complicações de um transplante de fígado. O legado do Velvet Underground continua influenciando até os dias de hoje. Caso você não conheça a música deles, não é tarde pra experimentar e conhecer!

The Jimi Hendrix Experience - "Are You Experienced?" - este é o disco de estreia de um dos power trios mais poderosos de todos os tempos, talvez empatando apenas com o Cream de Eric Clapton, que o influenciou diretamente. Traz um rock direto ao ponto, com pitadas de psicodelia, blues, R & B, experimentações, e toda a maestria de seu principal membro e compositor, que deu nome à banda: o maior guitarrista de todos os tempos, Jimi Hendrix. Suas inovações neste álbum ajudaram a pavimentar o caminho para diversas bandas e estilos, em particular para o hard rock e o heavy metal. Ao lado de dois grandes músicos - Mitch Mitchell e Noel Redding - Jimi conseguiu finalmente ser reconhecido pelo seu talento como músico (Hendrix pastava em grupos paralelos e como músico de estúdio nos EUA, sem alcançar sucesso). A descoberta de Jimi por Chas Chandler, ex-baixista dos Animals, ajudou muito. Levou Hendrix para a Inglaterra, arranjou seus companheiros de banda, e produziu este grande álbum (Eddie Kramer já trabalhou como engenheiro de som em algumas faixas deste disco). Um grande número de clássicos estão presentes no disco: "Foxy Lady", "Manic Depression", "Red House", "Fire", "Third Stone From The Sun", a faixa-título, a cover "Hey Joe", "Stone Free", "Purple Haze", ufa! Dá agora pra ter uma ideia da importância deste álbum na música pop/rock contemporânea. O álbum foi reconhecido tanto pela crítica quanto pelo público desde seu lançamento: Top 5 nos EUA e segunda colocação na parada britânica, além de muitas semanas sem sair de ambas as paradas. Sem perder tempo, a banda iria aproveitar o momento e lançar outro álbum ainda neste ano de 1967 - veja mais abaixo neste mesmo post!

The Beatles - "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" - no ano anterior (1966), os Beatles se cansaram das apresentações ao vivo - o público gritava muito e mal deixava eles escutarem o que estavam tocando - e resolveram não tocar mais para seu público. Resolveram investir seu tempo na gravação de álbuns de estúdio. A banda já havia alcançado resultados impressionantes em seus dois últimos álbuns, "Rubber Soul" e "Revolver". Entretanto, a partir de uma ideia de Paul McCartney, eles conseguiram desenvolver um álbum conceitual que revolucionou a história da música pop. Foi a famosa banda do Sargento Pimenta, uma espécie de alter ego dos Beatles que acabou dando liberdade a eles para experimentar à vontade dentro do estúdio, ao lado do produtor George Martin. Diversas técnicas de gravação que hoje são comuns na música foram experimentadas com sucesso pela primeira vez neste álbum. Só pra exemplificar um desses efeitos: não há o famoso intervalo entre as músicas, hoje comum em diversos discos; este foi o primeiro álbum a apresentar este efeito. E este é apenas um dos vários efeitos apresentados neste álbum. O disco foi parar direto no topo das paradas britânica e norte-americana (e em algumas outras também), e permaneceu no topo por várias semanas. Nem tudo foram flores: McCartney teve a ideia e liderou o projeto, o que causou descontentamento dos outros membros, que não foram totalmente a favor do projeto. Tanto que a banda abandonaria esta forma de gravação nos próximos álbuns. Destaque para alguns clássicos contidos neste disco: "With A Little Help From My Friends", "Lucy In The Sky With Diamonds", "A Day In The Life". Há quem não goste deste álbum, mas discordar de sua importância e sua influência é quase impossível. Foi um passo gigantesco dado pelo fab four, um dos que os tornou a banda mais criativa de sua época.

Pink Floyd - "The Piper At The Gates Of Dawn" - o Pink Floyd que ficou amplamente conhecido pelos seus discos mais clássicos ("Dark Side Of The Moon", "Wish You Were Here", "The Wall"), fortemente calcados no rock progressivo, não está presente aqui. No começo da carreira da banda, Syd Barrett era o principal compositor, guitarrista e vocalista. E ele direcionou a sonoridade da banda para a psicodelia. Aliás, há uma certa polêmica entre qual das duas fases da banda é a melhor: a primeira, psicodélica e guiada por Barrett; ou a segunda, progressiva e guiada por Roger Waters e David Gilmour (no final, guiada mais pelo primeiro). Não duvido que ambas as fases tenham grandes qualidades, mas esta primeira fase durou muito pouco. Syd consumiu drogas lisérgicas de forma pesada e acabou dominado pela loucura, saindo da banda já no ano seguinte. Voltando a este álbum, ele possui algumas boas canções, como a abertura com "Astronomy Domine", além das faixas "Matilda Mother" e "Interstellar Overdrive". Poucos meses depois do lançamento deste álbum, Syd começou a demonstrar sinais preocupantes, forçando a banda a cancelar apresentações. Resolveram então adicionar um guitarrista para deixar Barrett mais concentrado na composição. O novo guitarrista, David Gilmour, acabaria salvando o grupo, assumindo os vocais e se tornando um dos maiores guitarristas do rock. Syd acabou se afastando totalmente da banda. Ainda conseguiu gravar dois álbuns solo (com a ajuda de membros do Pink Floyd), mas acabou totalmente afastado da música. Considerado um gênio recluso, faleceu em 2006, de complicações de um câncer no pâncreas. O Pink Floyd, com Gilmour, demorou alguns anos, mas acabou se tornando uma das bandas de maior sucesso em toda a história do rock. Longa vida ao legado deste dinossauro do rock!

Big Brother And The Holding Company - "Big Brother And The Holding Company" - este foi o primeiro disco gravado pela notável Janis Joplin, aqui apenas a vocalista da banda Big Brother And The Holding Company. Apesar de sua grande qualidade, na época não conseguiu impressionar tanto assim. As apresentações ao vivo da banda acabaram criando sua reputação. Diversas canções deste álbum acabaram se tornando clássicos com o passar do tempo: "Bye, Bye Baby", "Easy Rider", "Light Is Faster Than Sound", "Call On Me" e o maior sucesso de todos, "Down On Me". Com sonoridade psicodélica, ainda trazia uma Janis contida, até dividindo os vocais com outros membros - ela aqui era apenas a vocalista, ganhando terreno e experiência para seu voo solo. Conforme já citado, foram as performances ao vivo que fizeram o Big Brother ganhar grande reputação (em especial o Monterey Pop Festival) e também cancha para gravar seu próximo disco, este sim seu maior clássico. Janis sairia em carreira solo pouco depois mas acabaria vítima do abuso de drogas em 1970 (os abusos com drogas levariam Janis, Jim Morrison e Jimi Hendrix; todos três brilhando fortemente neste ano de 1967). Uma perda inestimável para a música!

The Doors - "Strange Days" - gravar dois discos por ano era comum nos anos 60. Aliás, os artistas ganhavam mais grana vendendo discos do que se tocando ao vivo. O lucrativo mercado de turnês só iria explodir pra valer nos anos 70. Então, não foi diferente com o The Doors: eles lançaram seu disco de estreia no comecinho do ano e já partiram para a gravação de seu sucessor. Mais ou menos a mesma equipe do primeiro disco, incluindo o produtor Paul A. Rothchild, que ficou com a banda quase até o final, não produzindo apenas o último com Morrison nos vocais, "L.A. Woman". O álbum possui muitas qualidades, mas não alcança o brilhantismo do excepcional disco de estreia. Minha opinião pessoal: não há uma canção explosiva como a abertura do disco anterior (o clássico "Break On Through (To The Other Side)"), nem um sucesso tão forte quanto "Light My Fire". Temos alguns sucessos medianos: "Love Me Two Times", "Moonlight Drive", "People Are Strange" e a longa "When The Music's Over". A recepção do público ao álbum foi morna: apesar dele alcançar a terceira posição da parada norte-americana, não durou muito tempo na parada. Novamente minha opinião pessoal: o primeiro disco da banda é o mais forte e mais impactante de sua discografia. Talvez o abuso de drogas por Jim Morrison e seu envolvimento em tantas polêmicas tenha prejudicado a qualidade dos discos. Ainda assim, uma das grandes bandas de rock de todos os tempos!

Cream - "Disraeli Gears" - no post do ano de 1966, falamos sobre a importância do primeiro álbum do Cream, "Fresh Cream". Aqui, a banda conseguiu se superar e lançou talvez seu melhor álbum, já fortemente influenciado pela onda psicodélica (a capa que o diga). As canções traziam ainda mais frescor que as do primeiro álbum e permanecem vitais e atuais até os dias de hoje, meio século depois. O álbum foi produzido por Felix Pappalardi, que acabou produzindo também os demais registros do grupo (Felix ficaria famoso também por fundar, ao lado de Leslie West, o grupo Mountain) e acabaria conhecido como o "quarto membro" do grupo, por suas contribuições na produção e até na composição de diversas faixas. Grandes clássicos do rock saíram deste grande disco: "Strange Brew", "Sunshine Of Your Love", "Tales Of Brave Ulysses", "SWLABR" e "We're Going Wrong". Com o sucesso e a consagração, a banda aumentou o ritmo de shows e acabou saturando seus relacionamentos, encurtando sua vida. Apenas mais dois álbuns seriam lançados pelo grupo, que se separaria em 1969. Eric Clapton partiria para  montar outros grupos de sucesso, como o Blind Faith e o Derek And The Dominos, e depois entraria em uma muito bem sucedida carreira solo. Ginger Baker tocou com Clapton no Blind Faith e depois partiu para uma carreira de participações em alguns grupos. Jack Bruce partiu para uma carreira solo cheia de explorações musicais. Em 2005, o trio se reuniu e tocou algumas noites no Royal Albert Hall, em Londres, e no Madison Square Garden, em New York. Jack Bruce faleceu em outubro de 2014, de complicações de uma doença no fígado. Vamos curtir e valorizar o legado do Cream, de extrema importância para o rock!

The Beatles - "Magical Mystery Tour" - como a banda não tocava mais shows ao vivo, assim que encerraram o projeto do álbum do Sargento Pimenta iniciaram um novo projeto (de novo a partir de uma ideia de Paul McCartney): um filme com a participação dos quatro membros da banda, incluindo a trilha sonora composta pelos Beatles. Talvez este projeto tenha sido a primeira grande derrocada da banda. O filme foi severamente criticado e acabou nem sendo exibido nos canais de TV norte-americanos na época de seu lançamento (o filme foi exibido pela BBC no Reino Unido). A trilha sonora não sofreu tanto e conseguiu alcançar o sucesso habitual dos discos dos Beatles: topo da parada norte-americana (na Inglaterra, a trilha sonora foi lançada como um EP duplo). Ainda seguindo a pegada psicodélica, algumas canções famosas da banda estão presentes aqui: "Hello, Goodbye", "Strawberry Fields Forever", "Penny Lane", "All You Need Is Love". Com o fracasso do filme, o próximo álbum da banda tenderia a ser um esforço mais coletivo. Entretanto, as rusgas entre os membros continuaram: John Lennon iria irritar seus companheiros com a participação de sua nova parceira, Yoko Ono, nas gravações do álbum. E Ringo Starr chegou a se demitir da banda, retornando logo a seguir. Um prelúdio do fim definitivo da banda, em 1970. A gente espera pra falar melhor sobre isso tudo no post do ano!

The Jimi Hendrix Experience - "Axis: Bold As Love" - já falei acima (na parte sobre os discos do The Doors) que era comum, nos anos 60, que as bandas gravassem mais de um álbum no mesmo ano. As turnês tinham um formato diferente, eram mais curtas e os grupos sempre aproveitavam as viagens para utilizar os melhores estúdios em cada cidade visitada (Los Angeles e Londres eram as vencedoras; os já citados estúdios Olympic e da RCA eram muito requisitados). Portanto, mal acabaram as sessões de gravação do disco de estreia e o Jimi Hendrix Experience já estava compondo e gravando seu sucessor. Considero este álbum mais introspectivo, ainda muito experimental, e não tão impactante quanto o primeiro. Não traz a quantidade enorme de clássicos que o anterior trazia, mas possui uma qualidade sensacional e imensurável. Traz muitos clássicos sim: "Spanish Castle Magic", "Wait Until Tomorrow", a linda "Little Wing", "If 6 Was 9" e "Castles Made Of Sand". O grande trio ainda gravaria mais um álbum e se separaria: a estrela de Jimi Hendrix começou a brilhar muito intensamente e precisava seguir seu caminho independente. Pena que o abuso de drogas acabou nos roubando este incrivelmente talentoso músico. Longa vida ao trabalho de Jimi Hendrix!!

The Rolling Stones - "Their Satanic Majesties Request" - após lançar o álbum "Between The Buttons" no começo do ano, os Stones iniciaram as gravações para o próximo disco aproveitando alguns intervalos entre turnês (naquela época, as turnês não tinham o formato que tem hoje; tocar ao vivo era uma aventura e as bandas sempre aproveitavam a viagem para apresentações em TV e gravações em estúdios de maior qualidade). Nem todos apareciam para as gravações, já que três dos cinco membros da banda (Mick, Keith e Brian) estavam envolvidos em julgamentos com acusações de abusos de drogas. O produtor e empresário Andrew Loog Oldham acabou se distanciando da banda e os abandonou, não produzindo o álbum. Sem produtor, a banda acabou se auto-produzindo, partindo para seu álbum mais experimental, aproveitando toda a onda psicodélica que tomava conta deste ano de 1967. Entretanto, esta não era a praia dos Stones, realmente. Apesar do álbum apresentar algumas canções interessantes, como "Sing This All Together", "2,000 Man" (até hoje prefiro a cover do Kiss...) e "She's A Rainbow", fica uma sensação estranha quando se houve o álbum: não parece com um disco dos Rolling Stones. Pra piorar, a banda acabou sendo acusada de imitar o clássico álbum dos Beatles, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", lançado alguns meses antes. Acabou sendo um fim de ano melancólico para os Stones, que não se acomodaram nem se abateram: nos anos seguintes, eles retornariam para uma sonoridade mais calcada no blues e entrariam em seu período mais frutífero, lançando um clássico atrás do outro e, apesar dos problemas com Brian Jones, que acabou substituído por Mick Taylor, acabaram se consolidando como a maior banda de rock do planeta. Estão em atividade até hoje, ainda nos surpreendendo!

The Who - "The Who Sell Out" - o disco anterior do The Who, "A Quick One", foi considerado um disco de transição, saindo da sonoridade mod e começando a experimentar com o conceito de ópera-rock na faixa-título ("A Quick One, While He's Away"). Aqui, neste disco, a banda acabou adentrando na ideia de álbum conceitual, com diversas canções costuradas com jingles comerciais, como se fosse uma transmissão feita por uma rádio pirata (uma espécie de protesto contra uma lei que tinha entrado em vigor neste mesmo ano de 1967, na Grã-Bretanha, proibindo rádios piratas - vale a pena ver o filme "Os Piratas do Rock" contando parte desta história). Alguns clássicos da banda estão presentes neste grande álbum: "Armenia City In The Sky", "Mary Anne With The Shake Hand", "Tatoo" e "I Can See For Miles". O baixista John Entwistle continuou ganhando espaço como vocalista, cantando em três canções do álbum. E Pete Townshend não perdeu a oportunidade de treinar um pouco mais o conceito de ópera rock com a canção "Rael". A recepção do álbum, na época, não foi tão boa: apenas 13ª posição na parada britânica e 48ª posição na parada norte-americana. Com o tempo, no entanto, o disco ganhou aura de clássico e um dos melhores trabalhos do The Who. Num ano de domínio psicodélico, com ideias hippie como paz e amor quase formando unanimidade, a banda ousou ao romper com este paradigma, provando seu valor. A banda chegaria ao auge dois anos mais tarde, com sua ópera-rock mais famosa ("Tommy"). Papo para outro post...

Claro que tivemos diversos outros lançamentos neste grande ano de 1967. Estes foram meus escolhidos para ilustrar este post. Meus álbuns favoritos do ano da psicodelia e do verão do amor. Deixe suas impressões nos comentários, dizendo se sentiu falta de algum álbum! Um abraço rock and roll e até o próximo post com o ano de 1977!

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